Passei na faixa da discórdia e me diverti pedalando o resto do domingo.

Criança pedala na Praça Vilaboim.

Criança pedala na Praça Vilaboim ao lado da nova ciclovia.

Caro diário:

Passei na faixa da discórdia. Aquela da Vilaboim, que na sexta foi apagada e no fim de semana foi transferida para o outro lado. Enquanto eu tentava entrevistar algumas pessoas, outras – inclusive crianças – passeavam de bicicleta.

Crianças pedalam na rua Piauí.

Crianças pedalam na rua Piauí, Higienópolis.

O fato é que ninguém quis gravar entrevistas . Todos conversaram comigo, desde que eu não gravasse, mas como todas as conversas foram meio parecidas, vou resumir. É mais ou menos assim: “sou a favor das ciclovias, desde que (…)”, ou “acho que tem que fazer, mas (…)”. Como uma vez disse o prefeito Fernando Haddad: “todos são a favor de mudanças desde que não se mexa em nada”.

O curioso é que ali muita gente anda a pé. Tem muito carrinho de bebê, muitos idosos, pessoas que passeiam com os cachorros. Ruas com ciclovias são ruas mais seguras. A ciclovia ajuda a proteger o pedestre na calçada. E também abre o horizonte pra ele porque tira os carros estacionados.

Mas o que me deixou bem esperançosa foi ter visto essas crianças pedalando lá. Nós começamos a estender o tapete vermelho. Elas é que vão viver numa cidade melhor.

Que bom que começamos essa mudança!

Tadeu Leite, diretor de planejamento da CET explicou muito bem na reportagem feita pela Globo sobre o planejamento correto e conflito com interesses pessoais.

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/apos-reclamacoes-de-comerciantes-prefeitura-de-sp-muda-posicao-de-ciclovia/3769785/

Ciclistas ocupam a ciclovia da Vilaboim. Domingo por volta das 11:30

Ciclistas ocupam a ciclovia da Vilaboim. Domingo por volta das 11:30

Depois segui o caminho da ciclovia com minha amiga Renata. Queríamos almoçar no Acrópoles, eu tinha certeza de que a ciclovia chegava lá, ou quase lá. Depois do almoço “catequizamos” uma mulher que aguardava uma mesa com o marido e a filha. Ela mora no Ipiranga e trabalha no Ibirapuera. Tem vontade, mas medo de ir trabalhar de bicicleta. Indicamos o Bike Anjo. A filha já conhecia. Foi uma conversa bem agradável, com alguém que entendia que as ciclovias faziam parte da democratização da cidade, e que ela poderia fazer parte disso! 🙂

Quantidade de km percorridos: uns 30km (mais ou menos)

Quantidade de km percorridos em ciclovias: uns 20km (mais ou menos).

Garrafas de vinho: uma

Quantidade de assuntos sérios que conversamos durante o pedal: um, depois que saímos da Vilaboim.

Quantidade de assuntos nada a ver : uns 268.

Quantidade de risadas: umas 364, a maior quando ouvimos um casal descendo uma ciclovia a milhão ( não sei o nome da rua) gritando: Haddaaaaaaadiiiiiii!!!!!

Eu falo que sair de bike é sempre uma (boa) surpresa!

Quantidade de vezes que falamos: “vamos por aqui” e fomos por outro lugar: umas 535.

Pessoas que conversamos: umas 30. No mínimo. Entre elas os meninos prateados que fazem malabares com cones ou com fogo na av. Santos Dumont e a bronca que levamos do guarda do parque da Luz por estarmos pedalando. Logo depois cruzamos com outro guarda, nós empurrando e ele pedalando. Bom, já que…então… 🙂 IMG_7824

Fotos postadas no Instagram: até agora 3 ( controlando o dedinho),mas provavelmente postarei mais 3. Ou mais 6.

Perambulamos pelo centro, fotografando. Compramos um apartamento lá. Financiado. No nosso pensamento, claro. É que eu acho esse prédio ( foto) um dos prédios mais lindos de São Paulo. Lá funciona um consultório dentário, lá mora um senhor que estava na sacada. Lá tem sacada. Lá é o centro da cidade. Lá é bonito. Dá pra andar a pé, de bicicleta, e tem transporte para todos os cantos da cidade. Dá vontade de morar lá.

IMG_7881

Pra terminar bem o dia, passamos no Mão na Roda, oficina comunitária que acontece aos domingos no CCSP (no link tem os locais e horários que acontecem em outros locais da cidade também).  Lá também muitos grupos de adolescentes ensaiam para apresentações de danças. No telhado verde, pessoas namoram, tomam sol, conversam. No fim, fomos “arrastadas” para um show que rolou na praça Victor Civita. Subimos a Vergueiro pela ciclovia, depois pegamos a Paulista, ainda sem ciclovia. Terminamos no Largo da Batata, depois do show, tomando cerveja com amigos que encontramos no Mão na Roda.

Mão na Roda, todos os domingos no CCSP.

Mão na Roda, todos os domingos no CCSP.

Estar de bicicleta permite que você viva a cidade. E da melhor forma que se pode viver uma cidade. Permite que você compre um apartamento sem mesmo comprar um apartamento de verdade. Que você vá a lugares que nunca passou de carro. Que você converse com pessoas de todos os cantos da cidade. Nós não tínhamos dinheiro pra dar pros meninos prateados, mas a sensação era de que tínhamos muito mais: prestamos atenção no que eles diziam. Foi difícil sair de lá com tanto assunto que eles tinham pra contar.

Um dia eu conto aqui.

Mais fotos no instagram @paginadarachel.

 

 

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7 respostas para Passei na faixa da discórdia e me diverti pedalando o resto do domingo.

  1. Hhahahahah! Eu diria que foram umas três mil risadas, muitos planos – inclusive o do apartamento, que, nas nossas mente alucinadas de sonhos, seria parte de um condomínio onde só morariam amigos e em apartamentos lindos – e muitos encontros em um domingo numa cidade que está se adaptando pra acolher melhor as pessoas!

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  2. Rose Herculano disse:

    Achei que ia me deparar com um texto indignado sobre o que houve na Vilaboim…que bom que me decepcionei!Coisas que só quem anda a pé ou de bike é capaz de escrever!Beijos!

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  3. Bruno Bartulitch disse:

    Muito legal seu relato! Fazia o que podia para ver mais pessoas andando de bike em Sampa quando morava aí e continuo fazendo daqui. Agoro moro em Copenhague e mostro como é a vida nas ciclovias daqui. dê uma olhada: https://www.youtube.com/watch?v=gJogYNVZ2rw

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  4. Jason disse:

    Filosofar sobre “as magrelas (biciletas/bikes) e a geração saúde(ciclistas de fachada), ecologia e bá-blá-blá”, enfim parece que virou moda, status, etc., só que com esses discursos vazios e algo bem distante da realidade não resolvem o problema da cidade, pelo contrário, faz é acarretar ainda mais o trânsito caótico da cidade! O Haddad quer que suas CICLOVIAS FANTASMAS (que deveria ser apenas complemento e não solução), sim porque a prioridade mesmo teria que ser o transporte de massa e de grande porte, até porque as CICLOVIAS não atende aos cidadãos com mobilidade reduzida (deficientes físicos ou visuais, gestantes, idosos com idade bem avançadas, mulheres lactantes ou pessoas com criança de colo, etc.) e precisam se locomover…

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