O que Medellin construiu em 20 anos, enquanto São Paulo ainda reclama das ciclovias.

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Metrocable em Medellin. Foto: Rachel Schein

Estive em Medellin para o 4º Fórum da Bicicleta, que ocorreu de 26/02 a 01/03. No último dia do evento, tirei algumas horas para “turistar”. Fui até o Metrocable, o “bondinho” colombiano, que apesar de ter virado atração turística, foi pensado como parte integrante do sistema de transportes, tanto que se usa o mesmo bilhete do metrô. Lá em cima, um parque foi construído e aí sim se paga mais 4.500 pesos colombianos (cerca de R$5,00) para acessá-lo.

O metrô é interessante. Só tem duas linhas, mas atravessa a cidade toda por cima dela. E as atrações são reveladas por ali. Passando na estação Parque Berrío, vê-se o Parque Botero. É lá também que se encontra o Museu da Antioquia.

Na estação Universidad, um pouco mais adiante, vemos alguns parques ( Parque Explora, Parque de los Deseos e Jardim Botânico).  Quando as estações são anunciadas no metrô, são anunciadas também as atrações turísticas daquela região.

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Metrô de Medellin atravessa a cidade toda por cima dela. No fundo, a praça Botero. Foto: Rachel Schein

Comentando com uma amiga sobre Medellin, que eu preciso levar meu filho lá porque tem uns parques incríveis, ela me disse algo que me fez pensar: ” Na verdade é aqui que não temos nada, né?”.

Pois é, e quando tentamos fazer, as pessoas reclamam.

Medellin é tão caótica como São Paulo. O trânsito é pior. Digo tanto pra carros como para ônibus e pra bicicletas. Fora das ciclovias é tenso. Tudo misturado e desorganizado. Poderia dizer até agressivo. Cheguei a comentar com o prefeito de lá sobre esse caos.  O centro da cidade é agradável. As ciclovias se conectam aos calçadões e as praças. O metrô é cheio ( não cheguei a pegar lotado, mas até no domingo é cheio). Mas eles contruíram parques e praças incríveis. E muitos deles foram construídos depois do ano 2.000.

http://es.wikipedia.org/wiki/Parques_y_plazas_de_Medell%C3%ADn

Tanto que a Medellin foi vencedora do Sustainable Transport Award em 2012, um reconhecimento pelas transformações urbanas que a cidade passou durante esses anos. Este ano São Paulo levou o prêmio junto com Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

E o que podemos aprender para São Paulo?

Quando comecei a fazer parte do coletivo “A Batata precisa de você“, que se propõe a  ocupar o Largo da Batata com atrações culturais e construção de mobiliário urbano todas sextas-feiras, não tinha ideia do que poderia ser feito no Largo da Batata, já que o espaço foi entregue sem nada.

Claro, não sou arquiteta nem urbanista, mas bastou sair um pouco de São Paulo pra conseguir ter algum respiro e imaginar alguma intervenção linda e funcional para o espaço.

 

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Crianças brincam no Parque de los Deseos. Foto: Rachel Schein

 

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Foto: Rachel Schein

 

Parque de los Deseos.

Mobiliário Urbano no Parque de los Deseos. Foto : Rachel Schein

 

Paraciclo na Plaza Mayor. Foto: Rachel Schein

Paraciclo na Plaza Mayor. Foto: Rachel Schein

Foto : Rachel Schein

Foto : Rachel Schein

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Foto: Rachel Schein

 

Parque Explora, Medellin. Foto: Rachel Schein

Parque Explora, Medellin. Foto: Rachel Schein

Segundo o depoimento da arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, durante a discussão sobre ” Cultura e Espaço Público” que tivemos no Largo, parte do edital Redes e Ruas, talvez o espaço tenha sido entregue desse jeito propositalmente, para que seja um espaço de passagem e não de permanência.

Vale muito perder 10 minutos para assistir seu discurso na íntegra:

Em Medellin, ruas foram fechadas para a circulação de carros e reurbanizadas. Em muitas delas há arvores, calçadas largas, ciclovia e bancos em toda sua extensão. Um sonho mesmo pra quem mora em São Paulo. E quando dizemos que aqui não é a Europa, Medellin também não, muito pelo contrário, mas há pelo menos 15 anos tem feito investimentos para melhorar.

Recomendo esse texto ótimo da Lívia Araujo, escrito para o jornal do comércio de Porto Alegre. Lívia esteve também presente no 4º Fórum Mundial da Bicicleta.

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=191299

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Uma rua ” completa” em Medellin. Calçada, ciclovia, árvores e bancos. Foto: Rachel Schein

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Ciclovia na calçada, comum em Medellin. Foto: Rachel Schein

 

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Pedestres e ciclistas dividem a ciclovia-calçada no centro de Medellin. Foto: Rachel Schein

Em vários discursos durante o Fórum ( que o secretário de Transportes Jilmar Tatto participou contando sobre as transformações recentes de São Paulo), prefeitos, ex-prefeitos, secretários de transportes responsáveis por mudanças em grandes cidades como Nova York, Buenos Aires, Bogotá entre outras, foram unânimes em dizer que “Não são SÓ ciclovias, são espaços de convivência, são lugares para os cidadãos se sentirem convidados a participarem da cidade, a ocuparem os espaços públicos.” As ciclovias seriam só uma parte do plano de mobilidade das cidades.

Quando o prefeito de São Paulo Fernando Haddad se propôs a construir ciclovias, colocar wi-fi nas praças, melhorar o transporte público, construir parklets, aplicando o conceito de “cidade-parque” comentou sobre o atraso de São Paulo:” O que as pessoas precisam entender é que nós não estamos inventando aqui, nós estamos atrasados”. No vídeo abaixo, cita Medellin e Bogotá como exemplos de cidades que se modernizaram.

Conhecendo esses lugares que se transformaram em 20 anos ( e não estamos falando de Amsterdam), dá pra entender perfeitamente sobre o que ele está falando. (Agora faltava só presentear os cidadãos paulistanos com o Parque Augusta).

E aqui, ainda vamos continuar reclamando das ciclovias?

 

 

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