Pedalar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá (vídeo).

Ciclovia na Praça das Guianas.

Ciclovia na Praça das Guianas. Foto: Rachel Schein

É só pintar uma faixa vermelha que a gente ocupa. Não, péra. A gente tenta ocupar.

Gosto de pedalar por ciclorrotas, ou seja, caminhos alternativos as avenidas, onde a velocidade dos carros é menor e tem mais sombra, enfim, é mais agradável. Eu costumava fazer um caminho por dentro dos jardins pra voltar pra casa, mas hoje me deparei com aquela faixa vermelha lindona e resolvi segui-la.

Realmente ela atende minhas necessidades. Nunca tinha feito esse caminho por ser contramão, mas com a ciclovia é possível. Quer dizer, depende. Depende de como o outro consegue entender onde termina o espaço dele e onde começa o meu. No caso, o espírito paulistano, sempre preocupado com o interesse individual acima do coletivo, enxerga as ciclovias como um grande estacionamento.

Carros estacionados na ciclovia da rua Honduras.

Um pouco mais pra frente, carros estacionados na ciclovia da rua Honduras. Foto: Rachel Schein

Ok, as ciclovias só se tornam legítimas depois dos tachões e dos pictogramas, mas é melhor o espírito paulistano se acostumar: vai ter ciclovia! E por lei é proibido parar ou circular nela!!!

Segundo o parágrafo VIII do artigo 181 da lei 9503/97 do CTB, estacionar sobre ciclovias ou ciclofaixas é infração grave e o carro deve ser multado e guinchado do local.

O artigo 193 diz que transitar em ciclovias ou ciclofaixas é infração gravíssima e o carro deve receber multa (3x).

Estacionar o carro na rua não é um direito constitucional, é privatizar o espaço público, enquanto construir ciclovias onde carros estão parados é democratizar este espaço.

Quando Enrique Peñalosa esteve em São Paulo, disse numa palestra: “perguntar onde vai estacionar seu carro é a mesma coisa que perguntar onde vai guardar seus sapatos”. Sapatos e carros são bens privados. A rua é pública!!!

Apenas 20% da população se desloca em automóveis e esses 20% ocupam 80% das vias públicas, provocando os grandes congestionamentos. São Paulo tem 17.000 km de vias e vamos ter somente 400km de ciclovias, portanto ainda não chegamos nem perto da divisão democrática do espaço.

Lembrando que por lei, nos outros 16.600 km onde não há ciclovias, a bicicleta pode transitar em qualquer rua e tem preferência sobre os veículos motorizados. E a preferência vale para as travessias também. FAIXA DE PEDESTRE E FAIXA VERMELHA NO CRUZAMENTO NÃO SÃO ENFEITES E DEVEM SER RESPEITADAS.

Provavelmente esses proprietários de veículos estacionados sobre essas ciclovias frequentam o clube que fica ali na rua e provavelmente são moradores daquele bairro. Agora com ciclovias ali, nada melhor do que ir ao clube de bicicleta, não?

Enquanto isso, pedalar com fé eu vou que a fé não costuma faiá!

 

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