Temos um problema BOM pra resolver: a falta de bicicletas compartilhadas

Primeira estação do Bike Sampa, inaugurado em maio de 2012. Foto: Rachel Schein

Inauguração do Bike Sampa, em maio de 2012. Foto: Rachel Schein

Quem usa com frequência as bicicletas compartilhadas da cidade de São Paulo deve ter percebido a falta delas em alguns pontos da cidade.

Quando o Bike Sampa foi inaugurado em São Paulo, em maio de 2012, tinham apenas algumas estações na Vila Mariana SEM uma estrutura cicloviária. Até o final do ano estavam previstas 1.000 bicicletas.  Durante os anos seguintes foram implantadas novas estações em novos bairros, mas com a estrutura cicloviária, parece que o sistema não está acompanhando o crescimento do número de ciclistas em São Paulo.

Euzinha, pedalando na inauguração. Foto: Itau.

Euzinha, pedalando na inauguração. Foto: Itau.

Explico porque:

Neste dia 10 de agosto, por volta das 13:30, fiz minha estréia no Bike Sampa. Foi a primeira vez que realmente senti necessidade em todos esses anos. Uma má experiência. Vi pelo site antes de sair de casa a estação mais próxima que eu deveria pegar uma bicicleta. Cheguei lá, tinha uma com o pneu furado. Tentei olhar pelo aplicativo onde haviam bicicletas disponíveis, mas chegava um aviso: ” O Bike Sampa parou”. Vi pelo mapa da estação a mais próxima e caminhei até o Itau Cultural. Zero bicicletas. Rua Abílio Soares. Zero. Atravessei o viaduto da Rua Cubatão. Estação Eça de Queiroz. Duas bicicletas. Uma aparecia no sistema como indisponível. Outra acendia a luz, mas não saía.  Segundo me dizia a operadora, por telefone, o sinal ali estava oscilando. Entre a primeira estação, as inúmeras tentativas de soltar aquela bicicleta, ligações para a central, e conseguir pegar uma bicicleta foram quase duas horas. DUAS HORAS!!!! ( neste dia eu tinha tempo, inclusive me propus a testar o sistema).

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Depois que subi na bike, ufa, pedalei feliz! Dei uma chance pra ver se foi um problema de horário. As 19 horas tentei de novo próximo ao MASP. A primeira estação que tentei: zero. A segunda: zero. A terceira, uma bicicleta disponivel que piscava a luz verde e não saía.

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Estação na Ministro Rocha Azevedo x Al Itu, depois de 3 tentativas.

Concluí que o sistema não atende rapidamente as necessidades dos usuários. Não para quem tem meia hora pra ir de um lugar ao outro. Finalmente consegui uma, a única disponível, na estação da Ministro Rocha Azevedo. Testei os freios e vi se os pneus antes de pegá-la e, apesar da marcha ficar pulando e o banco ficar dançando, não me incomodou. Me incomodou mesmo foi o tempo para achar uma bicicleta.

Lembro da palestra que assisti da Janette Sadik-khan, ex-secretária de transportes de Nova York, que transformou a cidade num lugar ciclável, em que ela justificava o sucesso do sistema de bicicletas compartilhadas as proximidades das estações e da quantidade de bicicletas. Lá a inauguração do sistema “coincidiu” com a implantação da malha cicloviária e com a transformação das ruas em ruas para pedestres:

Mesmo com 6.000 bikes disponíveis, duas semanas depois da inauguração, o sistema não era satisfatório, segundo essa reportagem do New York Times:

De acordo com o depoimento de Tatiana Pinheiro, que utilizou bikes compartilhadas em Montreal  entre 2011 e 2012, o sistema era ótimo: “Me surpreendeu ver fazerem muita manutenção, trazerem mais bikes para estações vazias em horário de pico, retirar das que faltavam vaga… Havia também um botão na bike para acionar quando você deixava a bike na estação e achava que ela deveria ser consertada. Eu achava isso muito bacana.” – conta Tatiana, que comparou o serviço com as bicicletas de Paris, que sofrem alguns problemas também, mas segundo ela, melhor com problemas do que sem o sistema: “Pra mim é sinônimo de mudança, de mobilidade urbana, de sustentabilidade, de comunidade” – afirma.

Concordo.

Sistema está em licitação

Outra curiosidade é que na região da av. Paulista, as estações ficam nos quarteirões de baixo da avenida. Oras, com a ciclovia na avenida seria óbvio a oferta de bikes nas esquinas da própria avenida. Mas na inaguração do sistema em 2012, a ideia de se mexer na av. Paulista estava bem longe. Tanto que houve uma tentativa ( frustrada) de indicar ciclorrotas pelas ruas paralelas para o uso das bikes. Não funcionou porque as paralelas não são rotas naturais dos ciclistas, já que não são planas.

Infelizmente algumas estações do centro da cidade foram desativadas em maio de 2014 por causa de atos de vandalismo.

Também faltam estações em muitas outras regiões da cidade.

Em maio de 2015, o sistema entrou em licitação. Segundo esta reportagem da Folha de São Paulo, o Bike Sampa continua funcionando neste período, mas não podem inaugurar outras estações.

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/06/1642844-licitacao-de-sistema-de-bikes-de-sp-e-adiada-por-recomendacao-do-tcm.shtml

O fato é que no fim nos subestimamos o potencial de uma ciclovia. Basta pedalarmos de ponta a ponta na avenida Paulista pra notarmos o número de ciclistas que usam essas bicicletas. Na minha opinião, deveria ter uma estação em cada esquina, ou seja, o triplo do que existe no momento.

Portanto, temos um problema BOM para resolver. Espero que a licitação seja logo concluída para que possamos desfrutar desse serviço bem útil a quem precisa se locomover com rapidez. A cidade agradece! 🙂

ps: Tentei utilizá-las no dia 12 novamente, sem sucesso. Desisti porque estava com pressa. Fui uma bicicleta a menos e uma pessoa a mais no transporte coletivo. 😦

bike sampa 1

dia 12 de agosto, nova tentativa.

bike sampa 2

Dia 12 de agosto, nova tentativa

 

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Estacao 126, 12 de agosto, nova tentativa.

 

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3 respostas para Temos um problema BOM pra resolver: a falta de bicicletas compartilhadas

  1. Olá, Rachel! Muito boa a matéria!
    Realmente a demanda está muito maior agora e o problema de falta de bikes compartilhadas logo viria à tona. Vamos aguardar a nova licitação e quem sabe tudo melhore!

    Aproveitarei para deixar aqui algumas dicas minhas, que uso o BikeSampa quase todo santo dia, pelo menos duas vezes (sim, dou sorte de sempre pegar o contrafluxo e assim 99% das vezes consigo bikes nas estações):

    – é sempre bom ter mais de um passe no cadastro (eu mesmo mantenho sempre dois ou três pois assim posso pegar outra bike caso dê problema em uma que não saiu e mesmo assim bloqueia o meu passe dizendo que já está em uso; o sistema permite que você tenha até 5 passes).

    – além de ter o aplicativo no celular, é muito interessante deixar um Bilhete Único cadastrado em um dos passes! A única desvantagem é que com o bilhete único a gente não escolhe a bike; é o sistema que “escolhe” aleatoriamente. Mas é bom quando você está com pressa ou o sistema não conecta de jeito nenhum.

    – se você chegar numa estação e estiver escrito “SEM COMUNICAÇÃO” no painel e uma luz vermelha, isto não quer dizer que você não conseguirá pegar a bike de jeito nenhum! Esta informação é porque a estação está sem comunicação para retirada de bike com o bilhete único; basta entrar pelo aplicativo que na maioria das vezes você verá as bikes e conseguirá retirar uma (vale também tentar ligar na central e tentar retirar pelo autoatendimento).

    – sempre que entregar uma bike, olhe o aplicativo para ver se a bike foi “recebida” pelo sistema. Caso fique aparecendo que está em uso ainda, ligue na central e avise qual estação vc deixou e horário e o mais IMPORTANTE: SEMPRE peça e anote o protocolo do atendimento.

    UFA! Bom… Que eu me lembre, eram estas as dicas. Se eu lembrar de mais alguma – ou descobrir no dia-a-dia – aviso aqui!

    Beijo e boas pedaladas!

    Fabiano Gabilan

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  2. AH! Lembrei mais uma!
    – caso chegue na estação e o painel estiver todo apagado, tente acessar pelo app e ver se acusa as bikes na estação. Se aparecerem, pode tentar retirar uma que às vezes funciona também.

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