A bicicleta, o sistema e uma nova aliada nas festas de família.

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Desde sempre vivemos num sistema onde obedecemos certas regras. Tem que passar no vestibular, tem que arrumar logo um estágio, tem que ser efetivado, tem que ter um bom emprego, tem que ganhar dinheiro, tem que comprar um carro, tem que trocar de carro quando este – um bem durável ( aprendi na escola) – tiver 2 ou 3 anos de uso (????), tem que casar, tem que ter filhos, tem que, tem que , tem que.

O professor Clovis de Barros tem um vídeo incrível falando sobre essas metas que temos que atingir na vida e não acho de jeito nenhum aqui pra ilustrar, então se alguém achar, por favor coloque nos comentários.

O fato é que na área do urbanismo, sempre fomos ensinados que ruas foram feitas para os carros, bicicleta é coisa de praia ou daqueles países civilizados como a Holanda ou a Dinamarca.

Peñalosa acredita que na Holanda ou na Dinamarca as pessoas usam mais a bicicleta do que na Espanha e na Itália por exemplo por causa da infraestrutura oferecida.  Ali foi ensinado ao cidadão que ele podia andar de bicicleta, que a bicicleta não só fazia parte desse sistema como a segurança do ciclista estava em primeiro lugar. Tive a oportunidade de entrevista-lo rapidamente e gravar sua palestra durante o Forum Mundial da Bicicleta, em fevereiro de 2015, em Medellin.

Conversando ontem com um morador da Vila Nova Cachoeirinha, extrema zona norte de São Paulo, ele me disse que está aprendendo agora sobre as ruas abertas. ” Eu não sabia que isso podia, nunca tinha pensado nessa possibilidade, entende?”

Um outro morador colocou uma piscina na porta da sua casa e passou o dia se divertindo com seus filhos. ” Comprei essa piscina quando vi que todo domingo não passaria carros aqui”. Algo inimaginável há alguns meses. ” Nós não temos clube nem áreas de lazer aqui no bairro, então a gente se diverte assim e não precisamos gastar nada” – completou outra moradora.

Pai e filha se divertem na rua aberta na zona norte da cidade. Foto: Rachel Schein

Pai e filha se divertem na rua aberta na zona norte da cidade. Foto: Rachel Schein

O arquiteto Jan Gehl, responsável pela transformação de Copenhagen numa cidade amigável as bicicletas e aos pedestres – e cujo seu escritório fez uma consultoria a prefeitura de São Paulo no início da implantação das ciclovias –   diz uma frase interessante à jornalista Natália Garcia neste vídeo: ” Ninguém pede por algo que não conheça, se você perguntar o que uma criança quer ganhar no Natal, ela fará uma lista de coisas que ela conheça. E sem conhecermos as possibilidades, não sabemos o quão incríveis as cidades podem ser “.

( toda vez que falo sobre isso ou vejo esse vídeo, fico imaginando o rios Pinheiros e Tietê limpos)

Mas quando nós começamos a andar de bicicleta, começamos a questionar esse sistema. Por isso estamos acostumados a ouvir e a dizer frases como ” bicicleta , o segredo que vai mudar o mundo”. A bicicleta me fez repensar o meu tempo, o meu espaço e meu consumo. Parece que tudo o que eu preciso ter, tem que caber ali. Então, na verdade, não precisamos ter muito, certo?

Gustavo Tanaka tem alguns textos sobre essa mudança de paradigma que valem a leitura.

http://gustavotanaka.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/

Tudo isso pra dizer que a mudança está acontecendo. E talvez ela seja mais rápida do que imaginamos. Houve tanta resistência as ciclovias, mas houve ao mesmo tempo uma adesão absurda também. Quando o Ministério Público tentou barrar suas obras, em março de 2015, mais de 7.000 pessoas encheram a Paulista de bicicletas, numa demonstração de que aquilo ate então desconhecido, era aceito pela população. Assim como a Paulista e outras ruas abertas ao lazer aos domingos.

E tudo isso também pra contar uma história pessoal:  em setembro recebi uma mensagem da minha irmã perguntando sobre dicas para a segurança dela, que tinha começado a ir de bicicleta para o trabalho. Fiquei tão perplexa que publiquei ( com a autorização dela) o diálogo aqui. O título era: “Tragam meus sais. Minha irmã começou a ir para o trabalho de bicicleta”

https://paginadarachel.wordpress.com/2015/09/25/tragam-meus-sais-minha-irma-comecou-a-ir-pro-trabalho-de-bicicleta/

Perplexa porque minha irmã sempre me achou meio hippie, meio louca e eu sempre achei ela uma patricinha. Mas convivemos como irmãs, ora brigando, ora nos amando!

Logo depois vi que ela compartilhou um texto do “Vá de Bike”. Pensei: vixe, ela nao desistiu, tá mesmo indo pro trabalho de bicicleta. Depois vi ela comentando no grupo da Bicicletada!!!!! E neste domingo ela publicou três fotos com a seguinte legenda:

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Se a minha irmã já se converteu, há esperança. Tragam meus sais e meus açúcares desta vez! O mundo está mesmo mudando!!!! 🙂 E nas festas de família, parece que ganhei uma aliada. Ufa.

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