Comércio em Pinheiros oferece café da manhã para ciclistas no DMSC

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Enquanto alguns comerciantes reclamam (das ciclovias), outros comemoram. É o caso da Quitanda, mercado situado no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, que vai oferecer um café da manhã para quem passar de bicicleta na ciclovia da Artur de Azevedo no Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro). A ação será entre as ruas Fradique Coutinho e Mateus Grou das 7h as 9h da manhã.

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Bicicletário  inaugurado pela Quitanda durante Virada Sustentável

O mercado vem se aproximando das ações de sustentabilidade desde sua participação na Virada Sustentável, em agosto deste ano. A empresa não só ofereceu seu espaço para inúmeras atividades que rolaram durante o evento, mas também inaugurou uma estação de reciclagem, uma horta e um bicicletário prático e funcional com 10 vagas para bicicletas.

 

A Quitanda foi um dos comércios que entrou na campanha “Bicicleta faz bem ao comércio“, realizada pela Ciclocidade em 2014, como um dos comércios “Bike Friendly”. Era simples entrar com a bicicleta no estacionamento da loja mesmo ainda sem o bicicletário. Além disso, a ciclovia da Rua Artur de Azevedo passa exatamente no local onde são feitas as entregas, então quando ela foi implantada, uma placa foi colocada para conscientizar os fornecedores da importância em não estacionar na faixa para bicicletas.

É neste local que será montada a mesa de café da manhã. Para não haver nenhum conflito entre caminhões e bicicletas,  todas as entregas serão remanejadas para o período após as 9:30 da manhã.

Zona Sul e Zona Leste também tem café da manhã

O primeiro café da manhã do ciclista em São Paulo foi realizado em 2013 pelo Bike Anjo, em comemoração ao  “dia de ir de bike ao trabalho”, que acontece na segunda sexta-feira do mês de maio. A ação é uma forma de confraternização entre ciclistas e uma forma de incentivar o uso da bicicleta na cidade.

Com o número de ciclistas crescendo a cada ano, nada mais natural do que essas ações comecem a aumentar.

Na semana da mobilidade deste ano, além do café da manhã promovido pela Quitanda na zona oeste, os ciclistas da zona sul e da zona leste também terão seus momentos de confraternização.

No dia 19 de setembro a partir das 5h da manhã,  o CicloBr estará oferecendo um café para quem passar de bike no Largo do Socorro e no mesmo dia a partir das 17h, um lanche será oferecido aos ciclistas da zona Leste, na av. Imperador.

 

 

 

 

 

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Ciclistas registram árvores caídas em São Paulo

Os ventos que chegaram a 60km/h e o temporal que caiu na tarde desta segunda-feira, 16 de maio, foram suficientes pra derrubar 177 árvores na cidade de São Paulo, segundo a Folha de São Paulo. 

De acordo com o site da prefeitura, infelizmente uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas.

Acesse o site para saber mais notícias.

Aqui, imagens feitas por ciclistas que voltavam para casa.

Segundo a ciclista Roberta Godinho, esta perua escolar ficou presa entre dois fios de alta tensão.

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Foto: Roberta Godinho

 

Ciclovia da av. Sumaré - foto: Taciana Barros

Ciclovia da av. Sumaré – foto: Taciana Barros

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Rua da Consolação. Foto: Roberta Godinho

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Banca de jornal  em frente a padaria Real no final da Dr. Arnaldo. Foto: Taciana Barros

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Av. São Luis. Foto: Roberta Godinho

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Foto: Roberta Godinho

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Av. Dr. Arnaldo. Foto: George Queiroz

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Foto: Taciana Barros

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Centro de SP. Foto: Roberta Godinho

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Centro de SP. Foto: Roberta Godinho

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Centro de SP. Foto: Roberta Godinho

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Rua Rego Freitas  Foto: Roberta Godinho

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Rua Marques de Paranaguá. Foto: Juliana Carmesim

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Rua da Consolação. Foto: Roberta Godinho

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av. Dr Arnaldo. Foto: Taciana Barros

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Rua Caio Prado. Foto: Juliana Carmesim

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av. São Luis. Foto: Roberta Godinho

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av. Dr. Arnaldo. Foto: Taciana Barros

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Vamos fechar a Paulista pra sempre?

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A ideia não foi minha, mas curti. Quem lançou foi o fotógrafo Ivson Miranda no facebook:

“Já que a Paulista está fechada há mais de 30 horas e ninguém parece ter tido problemas, fecha de vez.”

Ivson se refere a manifestação contra o partido em exercício (PT), que interditou a av. Paulista por 30 horas ininterruptas durante os dias 16 e 17 de março.

O curioso é que dessa vez, como a ocupação foi feita exclusivamente por pessoas da classe média que defendem o partido da oposição ( PSDB). Não houve nenhum questionamento do  Ministério Público, dos moradores da avenida, dos defensores das ambulâncias, dos preocupados com os idosos e com o tão falado direito de ir e vir.

Aliás, direito esse que foi tirado de pessoas que tentavam se locomover a pé ou de bicicleta por não compartilharem da mesma opinião política dos que lá estavam vestidos com a bandeira do Brasil. Qualquer senhorinha  saindo com seu vestidinho vermelho poderia ser agredida e até linchada por estar com a cor da roupa errada naquele dia.

Isadora Shutte foi agredida por estar de bicicleta. Vermelha. Segundo o depoimento da jovem, reproduzido pela  Revista Fórum, “argumentos” como  “eles têm cara de comunista ladrão”, “a bicicleta é vermelha” foram suficientes pra agressão. Uma demonstração clara de intolerância, fascismo, preconceito e violência.

O depoimento completo está aqui:

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/03/17/a-carta-publica-de-isadora-que-foi-agredida-ontem-na-avenida-paulista/

Também não houve intervenção da Policia Militar como nos protestos feitos por estudantes contra a reorganização escolar e pelo Movimento Passe Livre, o qual um deles eu participei e testemunhei a praça de guerra que virou a av. Paulista/Consolação.

Hoje a manifestação é a favor da democracia. Hoje é a vez da esquerda. Tô aqui esperando ver se os manifestantes terão o mesmo direito a ocupar as vias e o mesmo tratamento da polícia.

E ajudando a propagar essa ideia:  que tal fecharmos a avenida permanentemente aos automóveis?

Quem tiver alguma dúvida quanto essa possibilidade, aqui um depoimento numa das inúmeras reuniões feitas antes das sua abertura aos domingos. Sim, passa muuuito, mas muito mais gente do que carros na avenida durante a semana. A Paulista tem uma vocação enorme pra ser um grande calçadão permanente. 😉

 

 

E também basta lembrar de que a possiblidade de termos uma ciclovia em plena avenida Paulista era praticamente nula há até uns 4 anos. No filme Bike x Cars, o arquiteto Ricardo Correa, da TC Urbes afirma: “se não fizerem ( a ciclovia da av. Paulista) daqui a 20 anos, com certeza não vão mais fazer”( a partir dos 2’20”). O filme foi gravado em 2012 e a ciclovia foi inaugurada em 2015.

Portanto, não custa a gente ir lançando a ideia, ne? 😉

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Final de semana será das mulheres e da bicicleta!

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Em comemoração ao dia internacional da mulher ( 08 de março), alguns eventos estão sendo organizados em São Paulo para o final de semana de 12 e 13 de março.

No sábado, 12, o Grupo de Trabalho focado em gênero da Ciclocidade (Associação dos ciclistas urbanos de São Paulo)  fará um encontro para discutir alguns assuntos exclusivos para mulheres como saúde íntima, os cuidados ao pedalar na gestação, assim como os de âmbito social como o empoderamento da mulher através da bicicleta e a bicicleta como ferramenta de transformação social.

Depois da discussão haverá um piquenique colaborativo e uma bicicletada chamando a atenção para os assuntos que nos incomodam, como o assédio por exemplo. O evento é exclusivo para mulheres (cis e trans) e a programação está aqui.

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Evento acontece no CCSP, estação Vergueiro do metrô.

No domingo, 13, pra quem mora na zona leste da cidade, o Sesc Belenzinho vai promover um passeio ciclístico com as meninas do Saia na Noite, grupo de mulheres que fazem passeios noturnos por São Paulo há mais de 25 anos.

Na zona sul da cidade, também no domingo, o passeio será guiado por essa que vos escreve e seguido de roda de conversa com Mirian Khacrochansky, fisioterapeuta e praticante do ciclismo de longa distância e Marina Harkot, pesquisadora pela FauUSP de mobilidade urbana sob a perspectiva de gênero.

O assunto? Adivinha! 😉 A mulher e a bicicleta, sob as perspectivas sociais, culturais, no esporte e na saúde.

O evento será promovido pelo Shopping Market Place, que vem apoiando o uso da bicicleta e fazendo passeios guiados com o Bike Tour, por conta da ciclovia da av. Luiz Carlos Berrini, que agora chega até lá.

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Para chegar:

Dá pra chegar de algumas maneiras:

De carro = O shopping ainda não estará aberto, mas o estacionamento vai funcionar pra quem for no passeio. Custo: R$ 14,00 o estacionamento pelas primeiras 2 horas.

Obs: as bikes que forem em racks em cima do carro não passam na rampa para a garagem.

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Estação Morumbi fica em frente ao Shopping.

De transporte público – Estação Morumbi/Linha Esmeralda = Custo: R$3,80 ida + R$3,80 volta. Domingo é permitido o transporte de bicicletas no trem e no metrô.

De bike – Ciclovia da Faria Lima +ciclofaixa de lazer (entrando pela rua Elvira Ferraz) +  ciclovia da Berrini, pra quem vai do centro ou zona oeste. Da av. Cidade Jardim x Faria Lima até o ponto de encontro dá cerca de 40 minutos em ritmo tranquilo. Custo: R$0,00.

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Rua que liga a ciclovia da Faria Lima com Berrini: domingo tem ciclofaixa de lazer.

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Ponto de encontro será na torre comercial na av. Chucri Zaidan e não nas docas,como está na inscrição.

Quem quiser subir pra roda de conversa ou passear no shopping haverá um serviço de bike vallet funcionando até as 17 h.

O passeio é aberto não só a mulheres. As inscrições para o passeio estão esgotadas, mas dá pra participar da roda de conversa, que tem previsão de início ao meio-dia. Mais informações aqui.

 

 

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Abaixo-assinado pede direitos iguais para as mulheres no ciclismo

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A fisioterapeuta Mirian Kracochansky começou a treinar o ciclismo de estrada em 1993. Desde então se depara com o mesmo problema: a falta de categorias para as mulheres no ciclismo: “Quando eu comecei, com mais de 30 anos, ou eu entraria na categoria iniciantes ou na profissional. A categoria iniciantes se destina aos adolescentes que estão tendo o primeiro contato com a modalidade do ciclismo de estrada e os profissionais são aqueles que vivem do esporte; ou seja não pude competir por não haver categoria por idades como nos demais esportes.” – conta Mirian.

Mirian acabou entrando para o Triatlon, que divide os atletas por categoria. O tempo passou e duas décadas depois foi convidada com sua equipe a participar de uma prova de estrada e quando foi fazer a inscrição, para sua surpresa a categoria feminino era única, ou seja, para mulheres de qualquer idade e preparo.

Para ela, a explicação para isso é que a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC ) acredita que o número de mulheres não seja suficiente para dividí-las em categorias,  mas alega que só em São Paulo, há mais de 300 mulheres pedalando para competir em ciclismo de longa distância.

Ela mesma treina 3x por semana com essa finalidade.

Para Marina Harkot, pesquisadora da FAUUSP em mobilidade urbana sob a perspectiva de gênero, a questão é cultural: “O próprio conhecimento e desenvolvimento corporais são tolhidos das meninas desde cedo – isso está no estímulo à certas atividades esportivas contra outras… – explica Marina. “Por que tem tão poucos meninos praticando dança e tão poucas meninas jogando futebol? E quando estas meninas jogam futebol e são ótimas, por que a diferença brutal no aporte feito pelos patrocinadores e na divulgação feita pelas transmissoras de TV?” – questiona.

Sentindo-se prejudicada, Mirian criou um abaixo-assinado ,que já tem mais de 10.000 assinaturas pedindo direitos iguais para as mulheres no ciclismo.

Um trecho do abaixo-assinado diz: “Nós apenas queremos o mesmo respeito e tratamento. Queremos competir com condições dignas de acordo com a nossa categoria! Teremos Olímpiadas este ano no Brasil, o momento ideal para mostrar que não existe discriminação de sexo ou idade no ciclismo brasileiro.”

Nada mais justo.

 

 

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A bicicleta, o sistema e uma nova aliada nas festas de família.

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Desde sempre vivemos num sistema onde obedecemos certas regras. Tem que passar no vestibular, tem que arrumar logo um estágio, tem que ser efetivado, tem que ter um bom emprego, tem que ganhar dinheiro, tem que comprar um carro, tem que trocar de carro quando este – um bem durável ( aprendi na escola) – tiver 2 ou 3 anos de uso (????), tem que casar, tem que ter filhos, tem que, tem que , tem que.

O professor Clovis de Barros tem um vídeo incrível falando sobre essas metas que temos que atingir na vida e não acho de jeito nenhum aqui pra ilustrar, então se alguém achar, por favor coloque nos comentários.

O fato é que na área do urbanismo, sempre fomos ensinados que ruas foram feitas para os carros, bicicleta é coisa de praia ou daqueles países civilizados como a Holanda ou a Dinamarca.

Peñalosa acredita que na Holanda ou na Dinamarca as pessoas usam mais a bicicleta do que na Espanha e na Itália por exemplo por causa da infraestrutura oferecida.  Ali foi ensinado ao cidadão que ele podia andar de bicicleta, que a bicicleta não só fazia parte desse sistema como a segurança do ciclista estava em primeiro lugar. Tive a oportunidade de entrevista-lo rapidamente e gravar sua palestra durante o Forum Mundial da Bicicleta, em fevereiro de 2015, em Medellin.

Conversando ontem com um morador da Vila Nova Cachoeirinha, extrema zona norte de São Paulo, ele me disse que está aprendendo agora sobre as ruas abertas. ” Eu não sabia que isso podia, nunca tinha pensado nessa possibilidade, entende?”

Um outro morador colocou uma piscina na porta da sua casa e passou o dia se divertindo com seus filhos. ” Comprei essa piscina quando vi que todo domingo não passaria carros aqui”. Algo inimaginável há alguns meses. ” Nós não temos clube nem áreas de lazer aqui no bairro, então a gente se diverte assim e não precisamos gastar nada” – completou outra moradora.

Pai e filha se divertem na rua aberta na zona norte da cidade. Foto: Rachel Schein

Pai e filha se divertem na rua aberta na zona norte da cidade. Foto: Rachel Schein

O arquiteto Jan Gehl, responsável pela transformação de Copenhagen numa cidade amigável as bicicletas e aos pedestres – e cujo seu escritório fez uma consultoria a prefeitura de São Paulo no início da implantação das ciclovias –   diz uma frase interessante à jornalista Natália Garcia neste vídeo: ” Ninguém pede por algo que não conheça, se você perguntar o que uma criança quer ganhar no Natal, ela fará uma lista de coisas que ela conheça. E sem conhecermos as possibilidades, não sabemos o quão incríveis as cidades podem ser “.

( toda vez que falo sobre isso ou vejo esse vídeo, fico imaginando o rios Pinheiros e Tietê limpos)

Mas quando nós começamos a andar de bicicleta, começamos a questionar esse sistema. Por isso estamos acostumados a ouvir e a dizer frases como ” bicicleta , o segredo que vai mudar o mundo”. A bicicleta me fez repensar o meu tempo, o meu espaço e meu consumo. Parece que tudo o que eu preciso ter, tem que caber ali. Então, na verdade, não precisamos ter muito, certo?

Gustavo Tanaka tem alguns textos sobre essa mudança de paradigma que valem a leitura.

http://gustavotanaka.com.br/ha-algo-de-grandioso-acontecendo-no-mundo/

Tudo isso pra dizer que a mudança está acontecendo. E talvez ela seja mais rápida do que imaginamos. Houve tanta resistência as ciclovias, mas houve ao mesmo tempo uma adesão absurda também. Quando o Ministério Público tentou barrar suas obras, em março de 2015, mais de 7.000 pessoas encheram a Paulista de bicicletas, numa demonstração de que aquilo ate então desconhecido, era aceito pela população. Assim como a Paulista e outras ruas abertas ao lazer aos domingos.

E tudo isso também pra contar uma história pessoal:  em setembro recebi uma mensagem da minha irmã perguntando sobre dicas para a segurança dela, que tinha começado a ir de bicicleta para o trabalho. Fiquei tão perplexa que publiquei ( com a autorização dela) o diálogo aqui. O título era: “Tragam meus sais. Minha irmã começou a ir para o trabalho de bicicleta”

https://paginadarachel.wordpress.com/2015/09/25/tragam-meus-sais-minha-irma-comecou-a-ir-pro-trabalho-de-bicicleta/

Perplexa porque minha irmã sempre me achou meio hippie, meio louca e eu sempre achei ela uma patricinha. Mas convivemos como irmãs, ora brigando, ora nos amando!

Logo depois vi que ela compartilhou um texto do “Vá de Bike”. Pensei: vixe, ela nao desistiu, tá mesmo indo pro trabalho de bicicleta. Depois vi ela comentando no grupo da Bicicletada!!!!! E neste domingo ela publicou três fotos com a seguinte legenda:

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Se a minha irmã já se converteu, há esperança. Tragam meus sais e meus açúcares desta vez! O mundo está mesmo mudando!!!! 🙂 E nas festas de família, parece que ganhei uma aliada. Ufa.

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Meu relato sobre o horror que São Paulo viveu neste dia 12/01.

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Policia cerca manifestantes. Foto: Rachel Schein

Ontem, dia 12 de janeiro, fui encontrar alguns amigos ciclistas na av Paulista para apoiar o MPL, que luta pela revogação das tarifas do transporte público em São Paulo. A ideia era fazer algumas fotos no começo e descer atrás da manifestação, afinal falar sobre mobilidade, apesar de defender o uso da bicicleta, é falar sobre o direito de escolha do cidadão pelo transporte que mais lhe convém, é ter a opção e não sofrer com a  falta dela. R$3,80 não me parece uma opção, aliás nem R$3,50.

Mas o direito de ir e vir do cidadão foi tolhido. De todos, inclusive o dos que só estavam tentando voltar pra casa.

Cheguei por volta das 18:30, nos reunimos na Praça do Ciclista e ficamos lá conversando enquanto as pessoas terminavam de montar os cartazes e se organizar para a marcha, que desceria ou em direção ao centro ou ao largo da Batata ( eu ainda não sabia qual seria o trajeto).

Confesso que aquele cordão de isolamento da PM na rua Haddock Lobo me deixou bem assustada. Claro, a intenção era essa. Intimidar as pessoas para enfraquecer o movimento. Podia-se passar pro outro lado antes de começar, mas não podia acessar a Praça do Ciclista por lá. As pessoas que tentavam voltar pra suas casas eram obrigadas a darem a volta pela al. Santos. Claro, depois entendi. Eles estavam isolando o local e cada um que estivesse lá estaria sujeito a ser espancado, levar bombas de gás, etc. Pra imprensa e para a população, olha quanta bondade. A PM  estaria “protegendo” a população. De quem? Deles mesmos.

Começou um batuque lá pelas 19 h, tudo tranquilo e organizado, as pessoas ainda não tinham começado a andar e de repente boooooom. Uma, duas, dez, cem bombas de gás sendo lançadas, vindas da Consolação em direção a Paulista. Começou a confusão, foi tudo bem rápido. Bicicletas enganchadas umas nas outras, todo mundo correndo pra fugir das bombas e o cerco  da polícia impedindo as pessoas de passarem. Uma emboscada.

Vale ver esse video pra entender a violência gratuita da PMSP.

ou este:

 

Não tivemos alternativa a não ser “invadir” uma garagem da av. Paulista. Sim , estávamos cercados. Os seguranças do estacionamento fechavam o portão na nossa cara, mas estávamos em umas 40 pessoas, desesperadas, forçamos para abrir. Depois de muita confusão dentro do estacionamento, conseguimos explicar que não estávamos lá pra fazer nada, apenas pra nos proteger.

 

O cheiro do gás era forte. Eu tava com uma faixa preta no cabelo e coloquei no nariz e na boca. Ainda comentei: ” Olha, virei um black bloc”. A polícia me fez tampar o rosto pra me proteger, entende?

Deixei a câmera ligada enquanto pensávamos em como conseguiríamos sair de lá.

Depois de algum tempo ( não sei dizer quanto), as bombas pararam e conseguimos sair. Na porta do estacionamento, vi um vaso quebrado. Comentei com o segurança: ” olha ai, depois vão dizer que vândalos quebraram o vaso, mas você viu o que aconteceu, né?” Ele concordou com a cabeça.

Cheguei em casa, lá pelas 20:30 e recebi um telefonema. Era minha tia, de 80 anos querendo saber se eu estava vendo televisão, porque tinham ” invadido” o Mackenzie. Expliquei pra ela que não estavam invadindo lugar nenhum. As pessoas, no seu direito de se manifestar, que está na Constituição, estavam apenas tentando se proteger da polícia.

Todo aquele medo que eu senti ontem, me fez questionar o tipo de regime que vivemos. Essa ação da polícia não é algo aceitável. Isso não é uma democracia. É ditadura.

Comecei a ler todas as coberturas pela grande mídia. ” Atos de vandalismo no Instituto Cervantes”. Veja o ato de ” vandalismo” aqui:

 

” Haddad pede mediação do Ministério Público para evitar violência entre manifestantes e policia”

http://brasileiros.com.br/2016/01/prefeitura-pede-mediacao-ministerio-publico-para-evitar-violencia-entre-manifestantes-e-policia/

Perceberam o gravíssimo erro no título?

NÃO HÁ VIOLÊNCIA ENTRE MANIFESTANTES E POLÍCIA. A VIOLENCIA VEM DA POLÍCIA.

Nao há confronto. Há abuso de poder.

E Haddad, um parenteses, cá entre nós, aumentar a tarifa em ano de eleição? E a explicação da prefeitura quanto ao aumento da tarifa?

Depois, pra completar, vi essa reportagem sobre a compra de tanques de guerra pelo Governo do Estado.

Diálogo pra que? O lance é gastar 30 milhões de reais pra comprar tanques de guerra. Melhor aplicar o dinheiro assim do que melhorar o transporte e abaixar o preço do bilhete, né? Afinal pra que serão usados esses tanques? Pra “proteger” a população? Nojo.

Quem quiser acompanhar tudo o que tá rolando nas manifestações sugiro seguir a página dos jornalistas livres.

 

Amanhã, dia 14 de janeiro, terá um novo ato. Na página do facebook do MPL há dois locais de concentração: Largo da Batata e Teatro Municipal.

https://www.facebook.com/events/938398952909416/

E que essa atitude da policia faça fortificar o movimento, como aconteceu em junho de 2013.

 

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